domingo, 3 de maio de 2009

A noite

A noite

À noite o mundo não dorme. Correm aos cantos os notívagos. Buscam saciar a fome pela lua, pelo escuro quase negro, mas que denuncia os contornos dos corpos, a silhueta de um busto ou movimento de cabelos.
À noite, o mundo não sonha. Encontra-se a realidade nua e crua, as putas à espera, os crentes aos bandos, andarilhos incansáveis e playboys torrando o saco de Narciso.
À noite, o mundo não para. Correm, nas veias asfálticas, os carros a brincarem com a vida ou a ganharem-na em cada centavo da corrida.
À noite, o mundo não se cala. Falam os morcegos, os faróis estalam, os dentes picam, o sangue jorra, o vento sopra, as folhas balançam, os olhos reviram, os corpos transam. Mas, os pássaros, ninguém os escuta.
À noite, as notas agudas são reais; às notas graves, as grades para, quem sabe, amanhã.
A noite é bela.
Victor Melo

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